Curiosidades e Dicas

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Bordeaux versus Borgonha

em 23.07.09

(Coluna publicada no JC Online)

Apesar de terem em comum a excelência de seus vinhos, as duas regiões possuem estilos e características bem diferentes, a começar pela nomenclatura de suas propriedades. Uma propriedade vinícola em Bordeaux chama-se Chatêau e na Borgonha, Domaine.

Em Bordeaux, é comum e quase obrigatório o uso de várias uvas na composição do vinho, seja ele tinto ou branco. Em Borgonha, apenas uma uva é permitida para cada tipo de vinho. A primeira produz vinhos tintos potentes e marcantes; a segunda, delicados e elegantes, por exemplo.

Até as garrafas de cada uma dessas localidades são diferentes e acabaram se tornando padrão para o mundo todo. As garrafas bordalesas são aquelas mais estreitas, utilizadas para os vinhos locais e também ao redor do mundo para as varietais originárias desta região; e as do tipo Borgonha são aquelas mais gordinhas, comumente usadas para os vinhos das uvas Pinot Noir e Chardonnay.

Existem, hoje, 57 denominações de origem em Bordeaux, contra 110 da Borgonha. Se os vinhos franceses são difíceis de entender, os da Borgonha são ainda mais! São diversas vilas, produtores, negociantes... Pode-se encontrar um vinho “Appelation Gevrey-Chambertin Controlée” de vários produtores ou negociantes diferentes.

O clima também é bem diferente nestas duas localidades. Bordeaux é mais quente que a Borgonha, por isso, os vinhos são mais frutados e menos ácidos, na maioria.

E estas são apenas algumas características entre as duas regiões. Para comparar, segue o quadro abaixo:

 

Bordeaux

Borgonha

Tintos

Brancos

Tintos

Brancos

Uvas

Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Malbec, Petit Verdot

Sémillon, Sauvignon Blanc, Muscadelle

Pinot Noir e Gamay (Beaujolais)

Chardonnay

Estilo dos Vinhos

Margem Esquerda: Potentes, concentrados e bastante tânicos

Aromas: Frutas silvestres, chocolate, baunilha, tabaco, etc.

Secos: Delicados, leves e refrescantes.

Aromas: Pera, pêssego, flores, etc.

Pinot Noir: de corpo leve a médio, taninos suaves.

Aromas: Cereja, especiarias, couro, trufas, etc.

Chablis: Leves e refrescantes, com muita mineralidade.

Aromas: Maçã verde, grama, pêra, frutas cítricas, etc.

Margem Direita: Encorpados, com muita concentração de frutas e taninos macios

Aromas: Frutas silvestres, especiarias, couro, etc.

Doces: Complexos, intensos e com bastante acidez.

Aromas: Mel, damasco seco, abacaxi, marmelada, etc.

Gamay: Frutado e com taninos leves.

Aromas: Frutas vermelhas, violeta e banana, etc.

Outras regiões: Mais frutados e menos ácidos, passam por carvalho na sua maioria.

Aromas: Maçã, pêssego, pão, nozes, mel, etc.

Média de Envelhecimento

5 a 20 anos

2 a 5 anos (Secos);

3 a 30 anos (Doces)

5 a 12 anos

2 a 5 anos

Espero que estas informações sejam úteis para ajudar vocês a entender um pouco mais os vinhos franceses. Como esta tabela ocupa muito espaço, vou deixar para falar sobre as uvas na próxima semana. E qualquer dúvida ou sugestões, podem mandar e-mail para: amanda@enogourmet.com.br

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