Curiosidades e Dicas

Voltar

Conheça as principais uvas tintas do Alentejo

em 21.02.15

Quem bebe vinho português sabe que, nem sempre, as uvas estão estampadas no rótulo, como é comum encontrarmos nos vinhos do Novo Mundo. E, mesmo quando elas aparecem, dificilmente, será uma daquelas variedades francesas tão conhecidas pelos iniciantes. Isso porque, até pouco tempo atrás, essas uvas não eram nem permitidas por essas bandas. Cada região possui suas próprias uvas características e estas são, usualmente, usadas em blends, ou melhor, em lotes, como dizem os portugueses.

No Alentejo, uma das principais regiões vitivinícolas, que fica ao sul de Portugal, podemos encontrar as seguintes variedades: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Castelão, e Alfrocheiro, no caso das tintas; Arinto, Antão Vaz, Roupeiro, Fernão Pires e Perrum, em termos de uvas brancas. No entanto, no tocante aos vinhos tintos, os blends mais comuns são aqueles que envolvem a Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet, muitas vezes, inclusive, com adição de Cabernet Sauvignon ou Syrah.

Mas vamos lá aos estilos de vinhos que elas produzem:

Aragonês – é a mesma uva Tempranillo, na Espanha, e Tinta Roriz, no Douro. Segundo Jancis Robinson, em seu Guia de Castas, a Aragonês, ou Tempranillo é o equivalente à Cabernet Sauvignon, na Espanha. Ou seja, é a uva que dá estrutura aos vinhos destas regiões. No clima quente do Alentejo, pode ser especialmente opulenta, gerando vinhos encorpados, retintos (de muita cor) e muito aromáticos. Seus aromas remetem a frutas vermelhas, ameixas, chocolate, tabaco, assim como flores silvestres e pimenta.

Trincadeira – Seu nome oficial é Tinta Amarela, onde é chamada no Douro e no Dão, mas seu nome mais usual é Trincadeira, especialmente no Alentejo. É uma variedade difícil, que requer cuidados para que não haja uma produção elevada de uvas com má qualidade, ou para que não fiquem suscetíveis à podridão. Cultivada da maneira correta, produz vinhos florais e um pouco herbáceos, com elevada acidez e taninos.

Alicante Bouschet – Um cruzamento entre Petit Bouschet e Grenache, apesar de não ser uma casta originalmente portuguesa, é hoje considerada como tal, tendo o Alentejo como seu berço português. É uma variedade tintuteira, que dá cor tão intensa aos vinhos, por isso, é também chamada de “Tinta de Escrever”. Além de muita cor, confere, também, estrutura, vigor e taninos aos seus vinhos. Em questões de aromas, os mais característicos são frutas silvestres, cacau e notas vegetais.

Castelão – É uma das mais plantadas em Portugal, também chamada de Castelão Francês, ou Periquita. Bem controlada, dá origem a vinhos estruturados e frutados, com algumas notas de caça, além de taninos bem presentes e acidez intensa. Os melhores exemplares podem envelhecer por anos. Entretanto, muitas vezes, gera vinhos agressivos, sem cor ou corpo e com acidez desequilibrada. Tem sido cada vez menos plantada no Alentejo. Porém, ainda tem extrema importância na região de Setúbal. Outros sinônimos: João de Santarém, Trincadeira Preta, Bastardo Castico, etc.

Alfrocheiro – Seu nome é, na verdade, Alfrocheiro Preto. Tem sua origem nos solos do Dão, mas tem migrado cada vez mais para terras alentejanas. Seus vinhos são ricos em cor, com ótimo equilíbrio entre álcool, taninos e acidez. Bastante propícia a doenças, é necessário cuidado. Mas tem se dado bem em regiões mais quentes como o Alentejo, onde dá corpo aos blends com outras uvas. Seus aromas mais comuns são amora e morango maduro. Também chamada de Pá de Rato e Tinta Bastardinha.

Além dos nomes estranhos (e dos vários sinônimos), é quase impossível saber qual o lote de um vinho Alentejano só olhando o rótulo, sem buscar informações. A sorte é que, por outro lado, quase todos os produtores portugueses indicam quais as uvas do seu blend, no contrarrótulo. Assim como informações sobre o envelhecimento e até dicas de harmonização. Mais fácil assim, não é?!

Depois eu falo sobre as uvas brancas!

Mais Vistos

Instagram

Novidades

Receba em primeira mão todas as novidades diretamente no seu email:

enoblogs