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Degustação com a casta Jaen

em 13.10.15

Como falei no post sobre a degustação de Touriga Nacional, Portugal é conhecido pelos seus vinhos de corte, ou seja, pelos vinhos que são uma mistura de várias uvas. O blend pode chegar a conter dezenas de variedades juntas.

Quando falei do Dão, mencionei as quatro castas tintas mais usadas nos cortes da região, que são a Touriga Nacional, a Tinta Roriz (também como Tempranillo, na Espanha; ou Aragonez, no Alentejo), a Alfrocheiro e a Jaen. Que a Touriga tem sido amplamente usada em vinhos monovarietais, tanto na região do Dão, quanto em outras partes, eu já sabia. Afinal, tem sido considerada pelos críticos internacionais como a uva mais emblemática de Portugal. Mas que a Jaen seguia esse rumo, eu não sabia. Nunca havia provado – ou visto – um vinho elaborado unicamente por este casta, que não é das mais conhecidas.

A casta Jaen

Mas eis que surge a oportunidade de participar de uma degustação exclusiva de vinhos da casta Jaen, comandada e comentada, novamente, pelo crítico João Paulo Martins*. Então, não podia perder a chance de conhecer um pouco mais desta uva. E não me arrependi! Foram mais de 15 rótulos de variadas regiões, mas principalmente do Dão.

Provavelmente, tem origem espanhola, na região de Bierzo, onde é conhecida como Mencia. É cultivada em terras lusitanas desde o século XIX. É bem possível que tenha sido levada para o Dão pelos peregrinos que rumavam a Santiago de Compostela. É uma casta que produz vinhos de corpo leve a médio, com baixa acidez, perfumada e com aromas de aroma, mirtilo e cereja, podendo também ter um toque herbáceo de menta ou tomilho.

Esta variedade, diferentemente do que aconteceu com a Touriga Nacional, deu-se muito bem na era pós-filoxera, no Dão, e é hoje a mais plantada da região, apesar de ser bastante suscetível ao míldio e à podridão.

Quer conhecer mais os vinhos que ela produz? Eu gostei bastante, portanto, não deixe de provar, quando tiver oportunidade. É importante provar coisas novas, assim, aprendemos mais.

Os 5 primeiros vinhos, da direita para a esquerda.

1) Quinta do Cerrado Jaen Dão DOC 2014

Coloração vermelho-framboesa, com muitas notas de frutas vermelhas, levemente floral e com toques de folhas secas. Um vinho jovem, de corpo leve, que se apresentou menos doce no paladar do que aparentava no nariz, com taninos leves e acidez marcada.

Menos doce no paladar, taninos leves a medio e acidez marcada.

Preço Médio: 10 €

2) Titular Jaen Dão DOP 2014

Cor vermelho rosáceo. Repleto de aromas de morango e framboesa, com um toque de ervas secas. Para mim, também apresentava aromas de Jambo do Pará, fruta muito encontrada no Norte e no Nordeste do Brasil. Na boca, um vinho leve, com muita frescura.

Preço Médio: 7,30 €

3) Fonte de Gonçalvinho Jaen Dão DOC 2013

Cor mais intensa que os anteriores, com aromas mais florais, especialmente na boca (um pouco de pout-pourri) e eucalipto. Frutos vermelhos mesclados com amora.  Sensação alta de álcool com leve amargor. Taninos leves, acidez marcante. Fora do perfil Jaen.

Preço Médio: 15 €

4) Quinta da Passarella “Enxertia” Jaen 2012

Vinho com grande complexidade. Cor mais intensa, com aromas sedutores de frutos vermelhos, cacau/chocolate amargo, leve mentolado, floral, com um pouco de madeira (cedro, baunilha). Redondo na boca, com taninos levemente mais marcantes que os outros e boa acidez. Fim de boca longo. (Ainda vai ser oficialmente lançado. Após um estágio de 12 meses em barricas, ainda segue por 18 meses em garrafa, antes de ser comercializado).

Preço Médio: 12 €

5) Beyra Jaen Biológico Beira Interior 2012

Vinho produzido por Rui Roboredo Madeira, numa zona um pouco esquecida, que possui solos graníticos e altitude 500 a 700 metros. Isso gera uma boa amplitude térmica, mesmo no verão, resultando em um maior equilíbrio das uvas.

Este foi um dos meus preferidos. Cor rubi, com aromas de frutas vermelhas e cereja preta, levemente floral, com notas de folhas secas. Na boca, também apresentou notas de cacau e toque tostado. Corpo médio, acidez fresca, taninos bem integrados e bom fim de boca.  

Preço Médio: 6,50 €

Mais cinco... sempre da direta para a esquerda.

6) Cortém Jaen Lisboa 2010

Produzido por Christopher Price, um inglês, que possui apenas 4,5 hectares de vinhas orgânicas na região de Lisboa (Caldas da Rainha). Cortém é também o nome da Vila onde estão inseridos.

Cor rubi com leves tons granada, com aromas mais defumados e vegetais. Um pouco de mentol e a fruta mais escondida, puxando para ameixas vermelhas e pretas. Boca com corpo médio, boa acidez e taninos medianos.

Preço Médio: 6,50 €

7) Quinta de Lemos Jaen Dão 2009

Cor rubi, levemente mais intensa. Aromas de frutas silvestres, com um leve toque terroso. No paladar, aparenta mais macerado e pesado. Corpo médio, acidez fresca e taninos finos. Foi um dos que menos me agradou na prova.

Preço Médio: 18 €

8) Niepoort “Labredo” Ribeira Sacra DO 2011

Produzido por Niepoort, na região de Ribeira Sacra (Galícia), com vinhas de mais de 40 anos. Este lote não é 100% Jaen e sim, 60% Jaen (Mencia) e 40% Alicante Bouschet (Grenache Tintureira), com 12 meses de envelhecimento em barricas de 228 litros.

Segundo João Paulo, vale a pena visitar, pois tem uma paisagem magnífica.

O vinho apresenta-se mais concentrado na cor rubi, com aromas de framboesa e morango, com um pouco de cramberry. Fumado e com notas de especiarias doces. Na boca, apresenta uma acidez picante, com notas de tostado e chão de floresta, com taninos bem marcados. Apresenta muita complexidade. Muito bom!

Preço Médio: 40 €

9) Quinta das Maias Jaen Dão 2012

Cor rubi, com aromas de frutas vermelhas, café e notas tostadas. Na boca, é cheio, com taninos macios e acidez marcante, com final longo.

Preço Médio: 21,90 €

10) Quinta das Maias Jaen Dão 2003

Apresentava uma cor rubi granada/atijolada, por conta da idade. Intenso no nariz, com aromas terrosos, além de toques de madeira, envoltos em ervas secas e frutas vermelhas. Boa estrutura, com acidez viva, taninos medianos e final que remete a especiarias (cravo). Excelente!!

Preço Médio: 14,80 € | R$ 257 (Decanter)

Os últimos cinco...

11) Quinta dos Carvalhais Jaen Dão DOC 2011

Cor rubi, com aromas fechados de frutos vermelhos, com um toque medicinal, quase como um vinho do Porto. Macerado demais no paladar, com taninos bem presentes e acidez equilibrada. Não me agradou muito.

Preço Médio: 15 €

12) Quinta dos Carvalhais Jaen Dão DOC 2009

Mesma coloração. Aroma mais delicado, mas ainda profundo. Floral, levemente terroso, com frutas vermelhas. Na boca, apresentou noras de morangos doces, taninos leves e acidez viva. Me agradou mais. Significa que a Jaen da Carvalhais precisa de tempo em garrafa para se desenvolver melhor.

Preço Médio: 15 €

13) Torre de Tavares Jaen Dão 2008

O produtor é um grande defensor da Jaen. Aroma sedutor de chocolate e frutas vermelhas, com leve toque de baunilha e canela. Um vinho elegante, com muita frescura e taninos firmes. Final longo e persistente. Gostei muito!!

Preço Médio: 10-20 €

14) Torre de Tavares Jaen Dão 2007

Aroma delicioso. Um vinho terroso, com notas de pinheiro, envolto em chocolate e frutas vermelhas. Sedoso, com acidez marcante.  Um nariz maravilhoso, daqueles que nos faz não soltar a taça.

Preço Médio: 10-20 €

15) Raul Perez “Ultreia de Valtuile” Mencia Bierzo DO 2012

Outro espanhol, da denominação de Bierzo. Envelhece por 12 meses em barricas francesas. Cor rubi, com aromas de frutas vermelhas e folhas secas, levemente mentolado. De todos, o de tanino mais marcante, com acidez menos intensa.

Preço Médio: 40 €

* João Paulo Martins publica, anualmente, o guia “Vinhos de Portugal”, o mais respeitado do país, com notas de provas de vinhos de todas as regiões do país. A versão 2016 já está disponível nas melhores livrarias do país – e também em lojas especializadas.

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