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Dicas para montar um roteiro de vinhos em Portugal

em 03.08.15

Depois de algumas semaninhas de férias, estou de volta! É, juntou minha viagem pelas vinícolas de Portugal, com a chegada da minha irmã com meus sobrinhos, então, fiquei sem tempo mesmo de escrever por aqui.  A notícia boa é que tenho muita coisa para contar. A ruim é que não dá para escrever tudo de uma vez. Portanto, precisarei de um tempinho para organizar as ideias e coloca-las aqui.

Depois da viagem que fiz pela Espanha e Portugal, com o grupo da LD Importação, na qual visitamos o Baixo Alentejo, a Ribera del Duero, a Rioja e o Douro Superior, fiz uma outra viagem junto com uma amiga californiana, de sul ao norte de Portugal, passando por Setúbal, Bairrada, Dão, Minho e Douro. Tentei fazer as principais regiões para que ela pudesse voltar para os EUA com uma visão bem ampla dos vinhos portugueses. Muita coisa ficou de fora, mas no tempo que tivemos, valeu muito!

Quem estiver de viagem marcada ou estiver planejando uma viagem enoturística por Portugal, tem que ter em mente duas coisas: é preciso tempo para se deslocar e, principalmente, planejamento. Ou seja, marque suas visitas com muita antecedência e tenha um roteiro bem definido, de preferência, com um bom GPS, pois na maior parte das vezes, não é fácil encontrar o endereço das vinícolas. Especialmente, se for em regiões menos conhecidas, onde o enoturismo ainda não é tão explorado.

Já falei um pouco sobre as Rotas de Vinhos do Alentejo. Mesmo sendo uma das principais regiões vitivinícolas do país, não é tão fácil se guiar. Acho que ainda faltam placas e indicações mais claras das vinícolas e, também de hotéis e restaurantes. É comum encontrar a placa “Adega”, indicando que ali está uma vinícola. Ótimo! Mas qual?? “Turismo Rural”, é outra indicação para hotéis.  Mas precisamos adivinhar que local é aquele.

Se esta, que é uma das maiores regiões produtoras de vinho de Portugal, conhecida mundialmente, que recebeu, inclusive, prêmios de melhor destino vitivinícola, não está tão preparada para receber os visitantes, imagina aquelas regiões menos conhecidas... Pois é! Então, um pouco mais de planejamento (e tempo!), é necessário.

Sempre que me pedem sugestões de roteiros, a primeira coisa que eu costumo dizer é: não marque mais de duas vinícolas por dia. E procure marcar tipos de visitas diferentes, mesclando produtores grandes e mais comerciais com pequenas adegas, ou até que produzam estilos de vinhos diferentes (orgânico, biodinâmico, natural ou “normal”) para entender os diferentes processos. Aqui em Portugal, é fácil ver tudo isso em pouco tempo. Em 5 dias, eu fui do sul ao norte do país, visitando de uma a duas vinícolas por dia. Foram 5 regiões. Não é tão fácil fazer isso em outros países. O tamanho de Portugal e as condições das estradas e do tráfego, ajuda muito. Mas pode ser bem desgastante. O ideal é ter duas pessoas a conduzir para que possam ir trocando, sempre que necessário.

Se for dormir em uma região e, no dia seguinte, for visitar uma vinícola em outra região, além do tempo da viagem em si, separe um tempo para uma parada no posto e, ainda, para “se perder”. Sou daquelas que prefere chegar cedo e esperar do que me atrasar a um compromisso. E se tiver duas visitas forem no mesmo local, também separe um tempo extra. Nunca se sabe se vamos querer curtir mais um pouquinho aqueles vinhos, ou aquela vista... Por falar em vista, se for no Douro, com certeza isso irá acontecer! As vistas mais incríveis que vi foram lá.

Voltando à questão do planejamento, em algumas vinícolas mais estruturadas, é possível marcar visitas pelo próprio site, mas na maioria delas, é preciso que a marcação (basicamente obrigatória para todas as vinícolas) seja feita por telefone ou e-mail. E aprendi uma coisa por aqui: nem todo mundo lê e-mail todo dia. Deixei de visitar vários lugares que gostaria por não ter tido uma resposta em tempo hábil para me organizar. Portanto, se quiser visitar as vinícolas de Portugal, comece marcando suas visitas com, no mínimo, uns dois meses de antecedência. Assim, terá tempo para organizar tudo com calma, receber as respostas e fazer as trocas necessárias, caso haja sobreposição de datas e horários.

Outra dica importante é quanto ao período das visitas. Os meses de maio a julho são os melhores para visitar as vinícolas. Já podemos ver as uvas crescendo nas vinhas, já está tudo verdinho e bonito para as fotos... Mas é também o início do verão e, dependendo da região, pode ser bem quente, como é o caso do Alentejo e do Douro. É, também, a época mais concorrida, portanto, ainda mais necessária uma marcação prévia. (Se for em Bordeaux, algumas visitas precisam ser marcadas com mais de um ano de antecedência!).

Entre o final de julho e o final de outubro, as vinícolas respiram as vindimas. Ótimo para visitar e ver tudo funcionando a pleno vapor, mas impossível de sentar com os enólogos, bater um papo e fazer uma degustação técnica. Algumas vinícolas oferecem programas especiais para quem quiser participar das vindimas, o que pode ser uma experiência única! Mas, em termos gerais, não é a época mais propícia para fazer visitas.

A partir de novembro até dezembro, creio que seja uma época interessante. Os enólogos já não estão tão estressados, os vinhos estão já deixaram a fase de fermentação e estão em processos mais controláveis, onde é preciso apenas supervisão. As vinhas, por outro lado, estão perdendo suas folhas com a proximidade do inverno. Mas em vinícolas que produzam vinhos “Late Harvest”, talvez ainda seja possível ver algumas uvas no pé.

De janeiro a março, creio que seja a pior época para visitar as vinícolas. Os vinhedos estão secos e sem vida, não tem mais nada acontecendo nas adegas (apenas os vinhos “descansando” nas barricas)... Mas por outro lado, as equipes estão mais disponíveis para receber os visitantes, incluindo os enólogos.

Falando em enólogos, é sempre mais legal fazer a visita com eles, claro. Mas nem sempre é possível. Primeiro, porque quando não estão a trabalhar nos seus vinhos, estão pelo mundo fazendo divulgações e degustações, participando de feiras e etc. Segundo, em vinícolas maiores, geralmente, há uma equipe de enoturismo, responsável por conduzir toda a visita, então, nem chegamos perto de falar com a equipe de enologia.

Daí, mais uma vez, a importância de mesclar vinícolas grandes com outras menores para ter mais particular, por assim dizer.

Segue o meu roteiro:

Setúbal – José Maria da Fonseca e Bacalhôa

Bairrada – Luís Pato

Dão – Quinta da Fata e Julia Kemper

Minho – Quinta da Calçada

Douro – Quinta da Veiga, Quinta do Pôpa e Quinta do Crasto.

Há milhões de vinícolas a visitar. Tentei incluir outras, mas por motivos diversos, não consegui. Então, ficará para uma próxima oportunidade.

Entre Setúbal e a Bairrada, estava prevista uma ida ao Alentejo, mas seria uma viagem muito grande de lá para a Bairrada e, como ficou em cima da hora e não consegui agendar a visita que queria, acabei dormindo uma noite em Lisboa, antes de seguir para a visita em Luís Pato.

Dividir as viagens em norte e sul também é outra estratégia interessante para visitar vinícolas em Portugal. Não queira fazer tudo de uma só vez. Sempre é bom deixar motivos para voltar para um lugar tão maravilhoso como este!

Depois eu falo com mais detalhes sobre as visitas. E quem precisar de dicas de viagens por Portugal, é só pedir!

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