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Encruzado, a rainha branca do Dão

em 04.05.16

Já falei, há algum tempo, da principal uva tinta do Dão, a prestigiosa Touriga Nacional, casta mais emblemática de Portugal.
 
Mas você sabe qual é a uva branca que domina esta mesma região? É a Encruzado!
 
Variedade que chegou ao Dão há mais de 100 anos, mas não se sabe bem como e só lá pelos anos 50 é que ela foi se tornar conhecida. E foi apenas em 1992, que a Quinta dos Carvalhais lançou, pela primeira vez, um vinho 100% Encruzado. Hoje, esta casta representa 5% dos vinhedos da região (em torno de mil hectares). Também é conhecida como Salgueirinho.
 
É considerada uma das castas de maior qualidade do país e se restringe basicamente ao Dão, cultivada nos solos graníticos da região e vinificada sozinha ou em lotes com a Cerceal, Bical ou Malvasia Fina, por exemplo. Se pudéssemos comparar – o que não acho justo – podemos pensar na Chardonnay, uma vez que a Encruzado também é uma variedade mais neutra, que pode ser trabalhada na adega, com uso de madeira. 
 
No nariz, apresenta-se pouco expressiva, com aromas de frutas brancas (especialmente pera) e muita mineralidade, podendo ser pouco exuberante, de início. Precisa de alguns anos em garrafa para evoluir os aromas, sobretudo quando há passagem por madeira, evoluindo para aromas mais amendoados e de mel, com toques levemente resinados.
 
Já na boca, apresenta-se encorpada, untuosa e com ótima acidez, o que lhe permite grande longevidade. Seus vinhos chegam a durar décadas. E são daqueles gastronômicos, que pedem uma boa comida. 
 
Os melhores acompanhamentos para um vinho da Encruzado (e brancos do Dão) são o famoso Queijo da Serra e queijos amanteigados em geral, bacalhau, salmão, lagosta e vieiras... Um belo risoto, também vai bem! Comidas mais gordas e cremosas. 
 
Abaixo, uma seleção de vinhos da Encruzado, todos do Dão:
 
Casa de Mouraz Encruzado Dão DOC 2013
Vinho de produção orgânica (biológica), sem passagem por madeira, mas com estágio sob as borras (sur lie). Apresenta uma cor amarela clara, com aromas cítricos e levemente tropicais, além de notas tímidas minerais, que puxam ao petróleo. Cheio na boca, apresenta acidez marcante e final mediano. Ainda evoluindo.
 
Quinta de Saes Encruzado Reserva Dão DOC 2014
Apresenta cor amarelo-palha (mais claro que o anterior), aromas mais delicados e frutados de pera, melão e limão, com alguma mineralidade. Na boca, apresentou-se menos encorpado que o anterior, com acidez equilibrada e um paladar mais mineral e floral do que no nariz, com um final cítrico.
 
Quinta dos Roques Encruzado Dão DOC 2014
A fermentação deste vinho se dá parte em barricas de carvalho francês, parte em cubas de inox, com um período de estágio sob as borras. Apresenta uma cor amarelo-palha, com aromas sutis de maçã e pera, com notas de manteiga e baunilha. Boa estrutura de boca, acidez pronunciada e álcool levemente alto. Pede mais uns anos em garrafa para que seja melhor apreciado. 
 
Quinta das Marias Encruzado Dão DOC 2014
Fermentado em inox, com 12 horas de contato com as películas. Cor amarelo-palha, notas delicadas de frutas cítricas e tropicais. Rico na boca, com acidez viva e bom equilíbrio.
 
Quinta de Cabriz Encruzado Dão DOC 2014
Cor amarelo-palha, com aromas de frutas brancas, como pera e pêssego, casca de limão. Boa estrutura de boca, acidez viva e final flora.
 
Quinta de Lemos Dona Paulette Dão DOC 2013
 
O vinho é fermentado em cubas de inox, entretanto, 2/3 deste finaliza a fermentação em barricas de carvalho francês, onde depois estagia por 12 meses. O resultado é um vinho de coloração amarela, com aromas de maçã e menta, com muita mineralidade e notas de madeira destacadas. Na boca, é rico e opulento, com ótima acidez e final longo. Apresenta muito potencial de envelhecimento. Muito bom! Foi um dos meus preferidos. Aliás, eu gosto muito de todos os vinhos desta vinícola.
 
Quinta Mendes Pereira Encruzado Reserva Dão DOC 2012
Fermentação parcial em barricas de carvalho e outra parte em inox, ambas com battonage (processo no qual as leveduras que ficam em contato com o vinho – sur lie – são periodicamente remexidas). Coloração amarela com reflexos dourados, aromas de maçã e frutas brancas, frutos secos e levemente abaunilhado. Na boca, é cremoso e untuoso, com acidez viva e fim de boca que remete a flor de laranjeira.
 
Quinta do Cerrado Encruzado Dão DOC 2010
Coloração amarela, apresentando aromas bastante minerais (petróleo), com maçã e pêssego branco. Rico na boca, com acidez viva. Muito equilibrado e com final com toques de baunilha. Excelente! De todos, era talvez o que estava mais no ponto para ser bebido, com já 5 anos em garrafa. Mas ainda tem potencial para muitos anos, especialmente para quem gosta de vinhos mais envelhecidos, como eu.

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