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Quinta do Pôpa: modernidade com elegância no Douro

em 16.09.15

Se há um lugar para onde eu quero voltar, no Douro, é a Quinta do Pôpa! Localizada na margem esquerda do rio, com uma vista simplesmente deslumbrante e um projeto moderno de comunicação, que encanta já desde a chegada. Ao passar pelo portão de entrada e subir, de carro, por entre as vinhas, já percebemos que estamos num local pensado nos mínimos detalhes. Plaquinhas com frases, spots para tirar fotos... tudo isso já cria uma expectativa maravilhosa acerca do que nos espera lá em cima.

Uma das placas "fofas" e criativas espalhadas pela Quinta.

Fomos recebidas por Stéphane Ferreira que, juntamente com a irmã, toca a vinícola – um projeto do pai deles, em homenagem ao avô. O nome, inclusive, vem do patriarca da família, que apesar de muito humilde (era filho não reconhecido de um homem muito rico), estava sempre bem vestido e arrumado, daí o apelido de Pôpa, por conta do pássaro chamado Poupa, espécie com uma crista pomposa e asas elegantes e que virou símbolo da vinícola. Pôpa trabalhava nas vinhas do pai, em Peso da Régua, e sempre teve o sonho de ter sua própria vinícola e produzir seus próprios vinhos. Infelizmente, não conseguiu realizar seu sonho, em vida. Mas um de seus filhos o fez. E todos nós agradecemos!

A marca da vinícola, em homenagem ao avô. Assim como na foto dele, em um dos vinhos.

Vocês já devem estar cansados de ouvir esta estória, cada vez que venho aqui contar sobre as minhas visitas. Mas não existe nada mais prazeroso do que ouvir da boca de um dos membros da família como surgiu a vinícola, de onde vem esse amor pelos vinhos. Isso é que faz criarmos uma relação de afetividade com determinado rótulo. Não é apenas mais uma garrafa na prateleira, é a história de uma família, muitas vezes, de várias gerações. E Stéphane, que já trabalhou no Brasil com marketing e eventos, sabe transmitir tudo isso não só na conversa, mas em todos os detalhes espalhados pela Quinta.

Enquanto ele nos contava sua história, íamos visitando as instalações da adega, que é muito bem equipada, contando inclusive com câmara frigorífica para manter as uvas após a colheita, antes de seguirem para o processamento. Contam também com antigos lagares para fazer a pisa a pé das uvas. Apesar de possuírem capacidade para produção de 90.000 litros de vinhos, eles produzem atualmente apenas 70 mil.

Lagares de granito revestidos com inox: tradição e modernidade

A primeira safra foi a de 2007, tendo como padrinho o enólogo Luís Pato, o rei da Bairrada. Mas foi apenas em 2010 que começaram a comercializar os vinhos.

Possuem 30 hectares de terra, sendo 14 de vinhas, onde cultivam as principais variedades do Douro, como Tinta Amarela, Tinta Cão, Touriga Franca, Tinta Barroca, Touriga Nacional, Sousão, etc., incluindo alguns hectares de vinhas velhas com mais de 80 anos, todas sob a classificação A do Douro (a melhor de todas).

Um dos lugares mais especiais, para mim, é a sala de barricas, aqui chamada de “sala do tempo”. Primeiro, porque ela está “encravada” em rochas. Isso já é fantástico! Além disso, tem uma decoração lindíssima, cheia de antiguidades! E, claro, de barricas. Aqui, eles usam barricas de 600, 500 e 225 litros, geralmente de 2º e 3º uso, afinal, a ideia não é ter vinhos extremamente marcados pela madeira.

Parte do fundo da sala de barricas, perfeita para tirar fotos bem legais!

Aí a gente sai de lá e entra em outra sala, que é onde ficam as garrafas da reserva da família, também encravada em rochas, que consegue manter uma temperatura baixa, naturalmente.

Fantástico, não é?

Em outra sala maior, onde ficam as caixas dos vinhos que serão comercializados, Stéphane nos falou dos novos projetos, mais “arrojados”, voltados para um público mais jovem. Há um, que não posso falar muito, pois ainda será lançado, que será comercializado em garrafas de 1 litro, com rótulos artísticos, nomes modernos, que variam do estilo clássico, a vinhos jovens. Ele e a irmã querem fazer experimentos com arte e vinhos de outras regiões. Hoje, eles já estão na segunda (creio que indo para a terceira) edição do “Wine on the Rocks”, projeto que alia a “urban style design” com vinhos de alta qualidade, com castas tradicionais do Douro.

Wine on the Rocks, projeto que une arte e enologia.

Outro projeto interessante foi a joint venture com Luís Pato, em um estilo de Bairrada encontra o Douro. O vinho, chamado TRePA (nome de significado peculiar no Brasil, rsrsrs), é uma mistura entre Tinta Roriz, do Pôpa e a Baga, da Vinha Pan, de Luís Pato. Assim, surgiu o nome: TRePA.

Depois de uma visita fantástica, não esperávamos encontrar este cenário, lá fora:

Queijos, charcutaria, vinhos e uma vista deslumbrante.

Poder degustar vinhos com esta vista e continuar nosso papo foi o final perfeito para uma manhã (que adentrou pela tarde) maravilhosa.

Deste lado de cá do Douro, além de termos uma vista linda, há menos sol e calor, provocando menos concentração nas uvas, o que gera vinhos com mais elegância e frescura. E pode-se perceber isso facilmente, nos vinhos.

Vamos a eles?

Quinta do Pôpa ‘Contos da Terra’ Branco 2013

Elaborado com Vinhosinho, Gouveio e Esgana Cão, das regiões de Pinhão e Régua. Um vinho jovem, fresco e aromático, com aromas de abacaxi, pêssego branco, com toques cítricos. Simples e delicioso para um dia quente de verão.

Preço Médio: R$ - | 3,90 €

Quinta do Pôpa ‘Pôpa’ Douro DOC Branco 2014

Corte de Vinhosinho, Gouveio, Folgasão e Rabigato, vindas do alto da Régua (as uvas brancas da Quinta do Pôpa são provenientes de vinhas com 800 a 2.050 metros de altitude), com estágio de 20% em carvalho francês novo por 8 semanas. A primeira safra foi apenas em 2013 e são produzidas apenas 7.000 garrafas. Vinho de cor amarelo palha, com aromas de frutas tropicais, maçã e pêra, com alguma mineralidade e final levemente marcado pela baunilha. Um vinho delicioso, que acompanhou muito bem os queijos portugueses.

Preço Médio: R$ - | 10 €

Quinta do Pôpa ‘Pôpa’ Douro DOC Tinto 2013

Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional e um toque de vinhas velhas (com 9 meses de passagem em madeira). De coloração rubi, com aromas de frutas vermelhas e leves toques de especiarias, é um vinho fresco, com taninos moderados e boa acidez, com um bom final de boca.

Preço Médio: R$ - | 10 €

Quinta do Pôpa ‘Pôpa TR’ Douro 2007

Foi a primeira safra deste vinho, que na época, estagiou 100% em carvalho novo por 4 meses. Monocasta, feito exclusivamente de Tinta Roriz (aqui, eles gostam de vinifica-la sozinha). Hoje, apenas 20% do vinho permanece em carvalho novo e em barris maiores. Sem filtragem. Um vinho já de certa idade, mas que ainda se mostrou muito bem. Cor já levemente granada, com aromas ricos de amora, canela, baunilha e notas de tabaco. Apesar de ter 14,5% de álcool, este se mostrou completamente integrado ao vinho. Boa estrutura e final longo.

Preço Médio: R$ 135 | 22 €

Quinta do Pôpa ‘Pôpa TN’ Douro 2009

Outro monocasta, desta vez da Touriga Nacional. Este, assim como seu irmão TR, foram feitos com pisa em lagares e estágio de 8 meses em carvalho, sendo apenas 20% de carvalho novo, mais 1 ano em garrafa. E apenas levemente filtrados. Coloração rubi, com aromas de frutas vermelhas maduras, chocolate, floral, com leve toque de brett*. Na boca, é muito equilibrado, com taninos presentes e acidez fresca, proporcionando-lhe muita elegância.

Preço Médio: R$ 105 | 19 €

*Brett ou Brettanomyces é um tipo de levedura, que pode trazer aromas indesejáveis aos vinhos e pode ser malvisto por alguns. Eu, particularmente, gosto, deste que seja sutil, pois traz mais complexidade ao vinho. Lembra os aromas de couro e terra molhada. Segundo Stéphane, eles querem apresentar um pouco deste perfil de brett, mas com muito controle, na vinificação.

Quinta do Pôpa ‘Pôpa TR’ Douro 2009

Provamos também esta safra do Tinta Roriz, que é a última que saiu para o mercado. Em 2010, eles não lançaram este rótulo, por não ter sido um bom ano e o 2011 ainda vai ser lançada. Cor rubi e aromas de frutas vermelhas e escuras, ervas secas, com toque defumado e um pouco de tabaco. Macio, no paladar, com bom corpo, taninos moderados e excelente acidez.

Preço Médio: R$ 138 | 19 €

Quinta do Pôpa ‘Pôpa VV’ Douro 2008

Já falei deste vinho aqui, que foi um dos meus tintos preferidos – se é que deu para escolher apenas um como preferido. Elaborado exclusivamente com vinhas velhas (a Touriga Nacional não entra no blend), vinificado em lagares, com 6 meses de estágio em carvalho e ainda 1 ano em garrafa. Um vinho de cor rubi intensa, aromas sedutores de frutas vermelhas, especiarias e leve toque de baunilha. Encorpado, com taninos aveludados e boa acidez. Um vinho muito equilibrado e com ótima persistência gustativa.

Preço Médio: R$ - | 24 €

Quinta do Pôpa ‘Pôpa Tinto Doce’ 2012

Projeto similar ao Luís Pato AM, no qual o vinho é vinificado como um vinho do Porto, mas sem adição de aguardente. Também elaborado com vinhas velhas. Cor violeta intensa, aromas de frutas escuras em compota, sem ser demasiado doce no paladar, com acidez suficiente para contrabalancear os açúcares. Apenas 11% de álcool, o que pode fazê-lo beber sem sentir. Portanto, se gosta dos vinhos de sobremesa, cuidado!  

Preço Médio: R$ - | 16 €

Além das visitas guiadas com degustação, é possível parar apenas para beber um vinho apreciando a vista, ou fazer um piquenique pelas vinhas (o valor da cesta com queijos, charcutaria portuguesa, azeite, pães, geleias e vinho é de 25€ por pessoa). Para grupos maiores, ainda dá para fazer uma reserva para um jantar ou almoço harmonizado, desde que haja um mínimo de 6 pessoas (e seja feita a marcação antecipadamente). Outro diferencial da Pôpa é estarem de portas abertas aos pets. Quem quiser, pode levar seu bichinho de estimação, que este será muito bem-vindo.

Um cantinho especial para os pets, amigos da Pipa.

Já não bastassem os projetos com a Quinta do Pôpa, Stéphane e Vanessa acabaram de inaugurar, no Porto, o Feeling Grape, um espaço enogastronômico, voltado para os wine & food lovers. É possível fazer um evento com um chef especial, como também os amadores podem se aventurar na cozinha. Seja uma festinha em grupo, um jantar romântico especial, ou para eventos idealizados pelos donos, com direito a vinhos não só da sua própria vinícola, este promete ser um dos hotspots do Porto. Para acompanhar os eventos da casa, basta seguir a página no Facebook.

Se ainda não se convenceu a fazer uma visita à Quinta do Pôpa, comece a segui-los no Instagram (@quintadopopa), que a vontade vai ser pegar um carro (ou um avião) e partir para uma tarde deliciosa, no Douro. 

Para finalizar a diversão, uma foto com Stéphane.

Para marcar a visita, basta mandar um e-mail para turismo@quintadopopa.com e falar com Leila, responsável pelo Enoturismo.

A Quinta do Pôpa está localizada na EN-222, em Tabuaço, com fácil acesso, tanto vindo de Pinhão, quanto de Peso da Régua.

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